domingo, 30 de maio de 2010

"Sem Pato, sem Ganso, mas com pena...do Dunga".



SEM PATO, SEM GANSO, MAS COM PENA... DO DUNGA.

Por Vieira Filho (Repórter da TV Sergipe)

"Na Europa, me chamam de 'Destroyer'. No Brasil, a imprensa me destrói". A frase é de 1994 de um capitão do tetra ainda ressentido das críticas que sofrera no período que ficou conhecido como a era Dunga (apelido dado à geração que fracassou em 1990, na Itália). Sim, meus amigos: não é de hoje que o nosso nobre treinador apanha da imprensa e se defende com a mesma desenvoltura que demonstrava em campo. Duro, sem ser desleal, objetivo, sem se preocupar com a estética.

Eu confesso: também queria ver o Ganso na Copa, mas entendo as razões que o deixaram fora dela (pelo menos da lista dos 23). O tal clamor popular (criado pela imprensa) que hoje se faz em nome do Ganso também já foi feito em nome do Pato, quando saiu dos pampas gaúchos para brilhar nos gramados da Europa .

Brasileiros: temos mania de treinador, mas também é verdade que temos memória curta. Vejamos: Quando o São Paulo foi campeão da Libertadores, do mundial de 2005 e do Brasileirão do ano seguinte, a dupla de volantes Mineiro e Josué era quase uma unanimidade nacional. A imprensa paulista que o diga. No ano passado, quando o atacante Taison (do Internacional/RS) foi o artilheiro e melhor jogador do campeonato gaúcho e artilheiro da Copa do Brasil, muita gente falou: “Será que o Dunga não está vendo isso? Esse moleque já tá merecendo a amarelinha”. Pato, Taison, Mineiro e Josué: Os três primeiros foram esquecidos pela imprensa, pelo tal clamor nacional e também pelo Dunga. O curioso, é que o antes aclamado Josué, único convocado entre os quatro citados, foi um dos principais alvos da “crítica”, na famosa lista para a Copa da África do Sul. Esses são apenas alguns exemplos, do quão volátil pode ser a “opinião pública”, num país que não se cansa de criar ídolos, quase na mesma proporção que os esquece.

Não seria mais fácil, para o Dunga fazer como fez o Maradona? “Fazer a média”. Convocar um caminhão de atacantes, para agradar a todos? Fazer esquecer a pífia campanha argentina nas eliminatórias e abafar a não convocação de jogadores experientes e vencedores como Zanetti, Cambiasso e Riquelme? Sim, seria mais fácil. Mas para esse gaúcho, as coisas nunca foram fáceis. Ainda criança, na várzea ouviu frases do tipo: “Craque? que nada, isso vai dar um anãozinho, um Dunguinha”. Era a origem do apelido do “anão” que cresceu até 1,77m de altura e alcançou conquistas de causar inveja em muito craque no mundo inteiro.

No futebol e na vida, muito se cobra de lealdade, ética, transparência, coerência, honestidade, mas quando surge um cara que quer colocar tudo isso em prática, num patrimônio desse país como é o caso da Seleção Brasileira, o que acontece? Uma avalanche de críticas, questionamentos, chacotas.

Ético, coerente, transparente, leal, honesto: Como seria bom, se nossos políticos fossem dignos de tais adjetivos. Respeito é bom, todo mundo gosta, e o Dunga merece!

O Brasil vai ser hexa em 2010? Vai saber... Só não dá pra destruir o “Destroyer” antes de a bola rolar.

Um comentário:

  1. Muito interessante esse artigo, e verdadeiro. Aprendi a gostar de futebol vendo o Destroyer jogar, em 94 foi a apoteose. Ele não trouxe o hexa como técnico, mas trouxe o tetra como jogador, e que jogador! O tal clamor popular, como bem disse, foi criado pela mídia em uma clara intenção de jogar o povo contra o técnico, pois todos sabiam que ele não é homem de ceder, depois as agressões e por fim a demissão. Tudo ensaiado previamente por um certo grupo que se considera acima do bem e do mal. Que vergonha!!!!

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