sábado, 20 de novembro de 2010

Futebol Sergipano: "à beira de um colapso"



Por Raimundo Morais

Seu avô, seu pai, e até seu tio, devem lembrar-se dos velhos tempos do futebol sergipano, quando os dirigentes, atletas, e colaboradores faziam por onde os torcedores tivessem gosto de irem aos estádios, e seus clubes, tivessem gosto de apresentar um grandioso futebol em nível nacional aos seus torcedores. Hoje, o que vemos é o outro lado da moeda, quando o dirigente, o atleta e o colaborador, fazem de conta que estão exercendo os seus verdadeiros papeis.
Estádio Batistão Aracaju-SE. Torcida lotava praça de esportes. Foto: Portal Infonet.

Foi a época do futebol sergipano ter o “Pelé” local, o seu próprio Nivaldo, Bia, Calango (Daruanda), Alonso, Cravo e Oliveira, Toinho, Gringo e Mirobaldo, Constancio Viera, Lauro e Rolinha, Ailton, Zé Pequeno, Fernando Oliveira, Henágio, Samuca, Joãozinho da Mangueira, Luiz Carlos Bossa Nova, Alberto e Travassos, Bessa, Godofredo e Eduardo, Clóvis, Nelson, Chaves, Valdemar e Paulo, Ribeiro Neto, Paulo Silva, Pedro Costa, Carlinhos, Edmilson, e tantos outros, que atuando nos clubes sergipanos nos proporcionaram inúmeras glórias e alegrias. O que devemos fazer para termos aquele velho futebol de ouro, de craques e de grandes equipes? Porque chegamos onde chegamos, quarta divisão do Brasileirão, penúltimo e ultimo colocados do Nordestão?
Nestes últimos dez anos, o futebol sergipano tem sido marcado por pouquíssimas vitórias e grandiosos momentos de decepções. O que se chama de verbas monetárias, se retrata em quantias não qualitativas, poucos ou quase nenhum são os dirigentes pró-ativos, o que será desse pacato futebol amanhã caso ‘eles’ continuem? “O futebol sergipano está no fundo do poço, precisa urgentemente de renovação nos dirigentes e mentalidades. É preciso ver que o futebol também é dinheiro, porém, enquanto não houver organização, o futebol sergipano será deficitário”, afirma Antônio Gonçalves, conselheiro do Club Sportivo Sergipe.
Se na missa os padres falam uma única voz, nos pensantes do futebol profissional sergipano acontece o mesmo, para o massoterapeuta do Força Jovem Aquidabã, Edinilson (Neguinho), “deve-se haver nos clubes, renovações naqueles que fazem o comando dos clubes, para se obter um novo panorama”. Para Felipe Araujo, torcedor desde criançinha do Confiança, a má situação do futebol sergipano deve-se a falta de benefícios por parte dos órgãos públicos tão quanto aos feitios da Federação.
“Em minha opinião, o futebol sergipano precisa de uma reciclagem, pois atualmente está muito desvalorizado principalmente pelas más passagens nos campeonato nacionais nas ultimas décadas. Uma federação tão pouca determinada. Um futebol que tem muito poucos benefícios do governo estadual”, explica.
Rivaldo Sobral, comentarista esportivo. 

“Esta desorganização do futebol sergipano não é de agora, está sendo mais percebida ultimamente em mãos de pessoas que têm responsabilidade. Pouquíssimos dirigentes estão se incomodando com a história dos clubes e com o torcedor”, afirma o comentarista esportivo Rivaldo Sobral ao Portal Infonet.
O fato da despreparação daqueles que fazem o futebol profissional em Sergipe ocasiona um enorme dano ao nosso pacato esporte, deixando-nos a ver navios. Nos estádios, a prova do fracasso, o que antigamente era expressão e marco estadual, estádios lotados durante o Sergipano, passa a serem verdadeiros desertos, onde poucas são as pessoas que tem acesso.
Campeonato Sergipano de Futebol
Ano
Público
Renda (R$)
2004
94.464
317.501,50
2005
167.805
665.901,50
2006
141.991
592.707,50
2007
103.959
470.168,00
Fonte: FSF
 
Não bastasse a decadência da renda, estrutura, para lamentarmos com o Confiança, o Alvi Azul Anil ocupa apenas a 70ª colocação no geral da CBF. Isso porque é o clube sergipano melhor colocado no Ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Aonde vamos pará? Devemos acreditar em uma possível salvação, qual a solução? Segundo Antônio Gonçalves, a solução possível está no fortalecimento das categorias de base. “A principal solução está no fortalecimento das categorias de base dos clubes sergipanos, tão quanto, nas condições louváveis dadas aos atletas”, assegura o conselheiro do Sergipe.
William Oliveira, torcedor do futebol sergipano clama por investimentos por parte do Governo. 

Para o jovem William Oliveira, torcedor do futebol sergipano, as salvações dos clubes do Estado estão nas políticas publicas.
“O Governo do Estado junto com as Prefeituras Municipais poderiam lançar projetos esportivos, onde seriam resgatados atletas, e junto a isso os times dos municípios e interiores. Hoje Sergipe tem ótimos atletas a serem lançados no mercado, mas é uma mercadoria sem indústria”, relata.
Em 2011, o que podemos esperar, a coisa pode mudar? Ou ficaremos na continuação dos últimos feitos, onde o grande fato foi à decadência do nosso futebol? Tendo ainda a ultima opção, recordar com saudades os bons tempos em que os times sergipanos disputavam e jogavam de igual para igual com os grandes clubes nacionais, e os estádios lotados eram expressão estadual?

Um comentário:

  1. Mais uma vez Parabéns por mais uma matéria muito interessante.
    Na minha humilde opinião, o que acontece é que a casa não começa a ser construída pelo telhado e sim pelo alicerce. Ou seja, como podemos valorizar tanto o futebol profissional e esquecer as categorias de base. Isso, verdadeiramente, não existe. Numa de suas matérias há um tempo atrás, dei os parabéns a diretoria tricolor, por finalmente desenvolver um trabalho profissional, nas categorias de base. E é isso que precisa continuar sendo feito, pois em 2 ou 3 anos, o esqueleto de uma equipe profissional do tricolor, vai ser formada por atletas oriundos da base. O investimento em contratações será menor e o retorno do investimento feito na formação, vai ser muito grande.
    Agora precisamos também, de uma FSF mais atuante, e que também valorize as competições amadoras, como sub-11, sub-13, sub-15, sub-17 e agora a volta dos juniores, num retrocesso sem precedentes. Vc faz uma equipe para disputar o sergipano e depois de ser campeão, refaz uma nova equipe, só que agora sub-18 para a disputa da Copa SP. Para se ter idéia da desorganização da nossa Federação, se vc acessar o site www.infonet.com.br/fsf e clicar na tabela, vai aparecer jogos que já foram realizados, por realizar, placares invertidos e até mesmo o Itabaiana no sub-15 aparece como classificado, por ter 8 pontos, e brigando pela segunda vaga estaria o palestra e o flusão. Mais a verdade, é que o Itabaiana está em segundo, com o palestra tendo 6 pontos e um jogo a fazer e o Flusão já está com 9 pontos, pois nesta tabela, o jogo que marcava vitória do Agamenon 1 x 0 Flusão, estava errado, foi vitória do Flusão sobre o mesmo Agamenon. É triste mais é verdade, são varios placares errados que constam na tabela da FSF, confundindo aqueles que acompanham o futebol de formação. Zebra ganha de 2x1 do Santos, aparece Santos 5x2 no Zebra, Confiança ganha do Vital de 4x1, aparece 1x1. O que podemos fazer diante de uma ditadura imposta por aqueles que comandam a federação. E o pior é saber que ele só está lá por favores que os presidente dos clubes, principalmente os do interior e amadores, o deixou lá. Como diria o ditado popular: Tal Pai(FSF) Tal Filho(clubes).

    Saudações Desportivas,

    Laerte de Menezes

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